dsc01285

Maroantsetra #2

Se não estivesse aqui e agora
à beira-rio na brisa suave do entardecer
diria não, não é possível
haver palmeiras e bananeiras
e canoas que deslizam nas águas calmas do rio
uma cerveja pouco fresca no calor de Dezembro
e um canto árabe a preencher tranquilamente
cada vazio, cada silêncio.

(20 de Dezembro, 2016)

dsc01455

Regresso às palavras

Lentamente
regresso às palavras
ao conforto da poesia
refúgio desta dormência
que me prende.

À minha volta
toda a beleza do mundo
floresta-praia-mar.

Dentro de mim
um vazio que me asfixia
a ansiedade constante
de não saber o que me espera.

(10 de Dezembro 2016)

Masoala Fim de Tarde

Longe

Não tenho palavras, perdi-as.

Procuro-as nestes momentos intermináveis
nestas horas sem fim em que me enterro
cada vez mais fundo
cada vez mais.

Ontem vi o pôr-do-sol mais bonito de sempre.

E eu sem palavras
deixei-me ficar até ao fim.

(14 de Julho, 2016)

DSC01415

Masoala #5

O vento e a luz
dançam por entre o bambu.

Cantam as folhas
rangem as canas
passam intermitentes borboletas de todas as cores.

No chão permanece o orvalho
reflexo da noite na claridade do dia.

(5 de Julho, 2016)

DSC01380

Masoala #4

Neste início de tarde que é só meu
e desta floresta que me envolve
ouço devagar
cada canto dos pássaros que não vejo
cada gota de chuva
cada silêncio no meio de tantos sons
tantos tons.

(12 de Junho, 2016)