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Mar,

Metade da minha alma perdi-a nas memórias felizes de ti.

 

*Variação sobre Sophia.

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Resta-me o conforto da invisibilidade

Resta-me o conforto da invisibilidade
no meio da multidão.

(Aqui nunca sou invisível
aos mil olhares inquisitivos que me escrutinam
na confusão da feira.)

O lago plácido e sereno neste final de tarde
rodeado de gargalhados e conversas descontraídas.

(O lago já cansado
a cor esverdeada e aquele cheiro insuportável
coração da cidade visto do céu.)

O verde constante a desafiar o calor de Agosto
com aroma a flores e a jardim no meio da cidade.

(A inquietude de me aperceber no sítio errado.)

O espaço para respirar.

Jacarandás em Lisboa

Lisboa #2

Em recantos renascidos desta minha cidade que (re)descubro
procuro-te inconscientemente
sem querer, sem poder.

Bem sei que deveria deixar-te nas memórias de uma outra Lisboa
de uma outra primavera com mais luz, mais sol, mais calor.

Uma outra primavera mais feliz.

Mas não consigo deixar de pensar na impossibilidade
numa primavera menos fria, menos cinzenta, menos escura.

Contigo.

Maroantsetra #2

Se não estivesse aqui e agora
à beira-rio na brisa suave do entardecer
diria não, não é possível
haver palmeiras e bananeiras
e canoas que deslizam nas águas calmas do rio
uma cerveja pouco fresca no calor de Dezembro
e um canto árabe a preencher tranquilamente
cada vazio, cada silêncio.

(20 de Dezembro, 2016)

Regresso às palavras

Lentamente
regresso às palavras
ao conforto da poesia
refúgio desta dormência
que me prende.

À minha volta
toda a beleza do mundo
floresta-praia-mar.

Dentro de mim
um vazio que me asfixia
a ansiedade constante
de não saber o que me espera.

(10 de Dezembro 2016)